quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"Como um pássaro voando!"


"Eu posso estar completamente enganado; eu posso estar correndo pro lado errado"*; mas estou tentando ir. É engraçado entender como há muito o que se viver e muito o que ser feito. Num mundo onde a vida perde seu valor a cada dia, estar vivo é uma dádiva. Mas o que fazemos de nós e de nossa existência? Como temos vivido? Quais são nosso valores?
Retomando o livro "O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder, começo a minha reflexão com a seguinte pergunta: "Quem é você?" Ou perguntando a mim mesmo: quem sou eu? O ponto de partida do livro e o início da reflexão filosófica do autor é a pergunta que que não deveria calar dentro de nós. Nos descobrir ou buscar nos conhecer todos os dias deveria ser uma necessidade para cada indivíduo a fim de entender melhor nosso papel no mundo moderno. Porém, deixamos a oportunidade de nos conhecermos, cada dia mais, passar em brancas nuvens, todos os dias; mesmo nos dias sem nuvens.
No final da década de 70, Caetano Veloso e sua canção 'Cajuína', trazia o seguinte questionamento: "Existirmos a que será que se destina?" Mais uma vez a filosofia permeia nosso meio e nos chama a refletir sobre outra questão de suma importância. Mas como podemos saber a que destinamos se não nos preocupamos em descobrir quem realmente somos? Estamos tão ligados a coisas pequenas que estamos esquecendo o essencial, o que é invisível aos olhos. Com isso, deixamos de viver para apenas passar pela vida sem que a vida, realmente, passe por nós.
É fácil perceber nas pessoas o individualismo para o qual caminhamos. Primeiro EU, segundo EU e  apenas EU. Se der pensamos no outro. Com isso vamos nos fechando em um mundinho pequeno e sem sentido. Esperamos o tempo todo que o outro faça aquilo que nos convém, mas esquecemos que toda relação é uma via de mão dupla onde dar e receber não é uma obrigação, mas uma forma de cultivo do sentimento, independente de qual nível seja este sentimento. E sempre usamos como desculpas, "os pegue e pagues do mundo"¹ , a correria do dia a dia e tantas outras desculpas que no fundo sabemos não justificam nossas atitudes.
Estamos livres, "como um pássaro voando", mas no entanto estamos só. Qual a vantagem existem em tudo isso? Não há respostas significativas. E não há respostas por uma única razão: não nos damos ao trabalho de nos conhecermos. Julgamos o outro sem perceber que temos as mesmas limitações que apontamos naquele que convive conosco. Apontamos o defeito do outro por não sabermos reconhecer suas virtudes. E dessa forma, vamos levando aquilo que chamamos de vida. No entanto, não somos capazes de responder e esclarecer os sentimentos de desconhecimento que existe dentro de nós. Vamos levando a vida do jeito que a vida quer, ou como diz a letra do samba: "deixa a vida me levar".
Ora pois, não quero que a vida me leve. Quero ter controle de meu destino, construir meus caminhos. Não dá para existir acreditando que o que vier é lucro. Podemos mais e somos capazes de muito mais do que fazemos. O que nos impede é a inércia que inerente a maioria dos seres humanos nos impede de agir e dar a cara a tapa para conquistarmos novos horizontes.
E como é difícil encontrar resposta para todos os questionamentos e superar as limitações e obstáculos que encontramos no caminho. As vezes, entendo que nosso desabafo é uma forma de expressar que algo não vai bem em nós e esse desabafo acaba se tornando pura falação. Variação sobre o mesmo tema. Este texto é um pouco disso: " e eu menos estrangeiro no lugar que no momento"². É assim que me sinto; é assim que eu vejo: "o mundo todo é uma ilha"³.
Porém, " eu não vim até aqui pra desistir agora!"
Olhos abertos ao que vai chegar. 

* Citação de Infinita Highway - Engenheiros do Hawaii
¹ Citação de Gita - Raul Seixas
² Citação de O Estrangeiro - Caetano Veloso
³ Citação de Terra de Gigantes - Engenheiros do Hawaii

Ps.: O título deste post é um trecho da canção "Ando Só" dos Engenheiros do Hawaii

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