quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O retorno do Eu

Sou o que sou
E já não sei quem sou
nem se sou dono de mim.
Sou o que a vida toma,
O que o sol queima
E o que a chuva arrasta.
Sou a estrada de pedras,
que ferem os pés,
O pó do caminho.
Sou sombra da noite,
A uivo dos lobos,
O olhar do vampiro,
O sangue.
Sou a serpente desperta,
O bote certeiro,
Veneno da presa,
Agonia e dor.
Sou a carne nua,
Navalha que corta,
A noiva no asfalto.
Sou o céu encoberto
De nuvens de chumbo e paixão,
Raios de amor,
Tempestade do ser.
Sou caminho sem volta
A mente que vaga.
Sou o mar que revolta,
Na noite sem brilho
A água que fere
A pedra na praia.
Sou o frio que gela,
A alegria de existir.
Sou o sal que amarga
O doce mistério,
O olhar que penetra,
Na alma já morta.
Sou a lança que mata,
Instrumento de Jorge.
Sou de todos os Santos
Casa do que caça,
Filho de Aruanda.

(24/12/2008)

Nenhum comentário: